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acon-Teceu e com-fiei!

    O causo sucedeu-se assim: estou na aprendizagem da costura de bonecas e experimentação pessoal de tinturas, costuras e texturas.     Então fui lá, costurar o molde das primeiras bonequinhas. Eram duas que risquei. Até que eu estava gostando, cheia de empolgAção! Foi então que, chegada a hora de costurar as mãozinhas e os pézinhos, senti meu corpo esquisi-estar. Tão delicada eram as curvinhas que parecia que não ia dar não! Mas sou teimosa, sou sim. Aliás, dizem de mim: persistente (das boas causas)! Cá entre nós: a persistência durou só o primeiro corpinho. O segundo, com a mesma certeza de céu carregado de nuvem preta que resolve cair: não faço mais na máquina! Melhor costurar essas partezinhas na mão que é pecado pensar palavrão costurando boneca de criança brincar.      Pra quem nunca costurou talvez nem nunca entenda. Talvez dê pra comparar com aquele momento que você está tendo toda aTenção do mundo para não raspar seu carrinho, durante uma ba...

Fazer boneca e fazer conhecimento

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Estou a quase 9 semanas vivenciando o fazer da Boneca Waldorf, num curso on-line ministrado pela Professora Doutura Nina Veiga, a quem eu tive a grande felicidade de encontrar virtualmente por esse oceano imenso internáutico.  O caminho é longo e tem muitas sinuosidades. Escalamos montanhas conceituais, tropeçamos em pedrinhas e e outros desafios atitudinais e muitas vezes perdemos o fôlego e as vistas nas intempéries atitudinais. Que bom que tem reinado em mim essa força que, a cada vez que a respiração aperta e a vista embaraça, como que numa resposta a tal força, uma clareza e um fluir ainda maior e melhor vibram em minha alma. Hoje foi assim. Trabalhando com a bonequinha, tentando finalizar seu casaquinho de tricô, um feixe de luz ilumina um canto tão escuro e custoso de minha existência. O canto onde moram minhas crenças mais caras quanto a minha capacidade de aprendizagem e de construção de conhecimento. O canto escuro e frio que, de tão potente, paralisa meus movimentos em d...

Casa viva ou vida de revista?

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Queria poder conversar com cada pessoa que nesses tempos de isolamento social têm vivido pressões e cobranças (pessoais ou de terceiros) com respeito a uma casa organizada e perfeitamente limpa. Já não bastasse todas as angústias que este tempo nos trás, muitos de nós estamos presos a um padrão de organização, limpeza e estética que é muitas vezes paralisante.  O que eu pergunto pra quem se percebe nessa situação:      De onde vem esta angústia? Ou melhor: de onde surgiu estes padrões que temos como referência da correta organização e limpeza da casa? E ainda mais importante, para os que têm filhos: o que significa uma criança dentro destes padrões?      De manhã estava na minha tentativa diária de meditação, quando fui presenteada por estas reflexões: como observamos, como comprovamos a VIDA em suas diferentes manifestações? O que, numa última instância, confirma a vida e diferencia da morte?       Ao olhar para uma pessoa, aparent...

Ser professor em tempos de crise...

(crise sanitária, crise econômica, crise de humanidade, crise de valores) É Abril de 2020 e quero deixar um registro para um futuro longe, onde eu possa revisitar os momentos de minha vida e pensar "nossa, que tempos terríveis aquele!".  O fato é que estamos vivendo a maior crise sanitária da história, onde o COVID-19 veio com força inigualável, capaz de parar praticamente o mundo todo e, infelizmente, causar a morte de mais de 200.000 pessoas em menos de 3 meses. E, como é de se esperar, causar um grande reboliço na esfera econômica do mundo todo. É aqui que precisava chegar, com uma lupa para o setor educacional, ampliando 100x nas escolas particulares: frente a uma grande discussão de como superar a futura crise econômica que nosso país enfrentará (que já estava anunciada antes mesmo do vírus), começam também as estratégias para pensar a sobrevivência das escolas. São muitas questões que atravessam as escolas particulares e que merecem suprema importância: é possível r...

Brincar com poesia #1

No quintal de casa, a natureza descansa. Pedrinhas e entulhos enterrados no chão, cascas, sabugos, folhas em decomposição. Minha imaginação, entretanto, é puro adubo. Não tenho um quintal paisagístico, porque a paisagem para mim precisa ser viva, espontânea, cíclica. Acho lindo os quintais assim, com grama e flores planejadas. Mas descobri a lindeza também dos matinhos que crescem e revelam flores mais lindas do que da própria floricultura! Também descobri remédios (que insulto chamá-los de mato. Deveríamos chamá-los de vivo!). Aprendo muitas coisas ao observar e vivenciar esses desperdícios, estou com Manuel de Barros sobre a abundância que eles são. Assim eu me alimento, não só ao corpo, mas minha alma e me espírito. Com poesia, simplicidade, imaginação. E enquanto tiver alimento em minha casa, também terei para dividir. Minha esperança é que,essa brincadeira de fazer vídeo com poesia e desperdícios de quintal possa alimentar um pouquinho vocês. Estar neste momento de isolam...

Cacho de algodão

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A missão do final de semana era apaziguar as saudades de Barão Geraldo, distrito de Campinas que morei durante 8 anos, enquanto estudava e, depois, trabalhava. Oito anos. Oito: o número que, por si, é uma leminiscata , e que fala deste casulo onde pude me metamorfosear nesta que sou hoje, sempre inacabada. As saudades que precisava serenar não eram só das pessoas, mas sobretudo dos processos que me  mantinham viva, que davam conta de sustentar a ebulição universitária, a frieza acadêmica, o cardápio quase infinito para degustar a cultura nascente e saborosa de Barão. Era muita coisa. E descobri que no cultivo da horta, e depois no fazer agroflorestal, meu corpo transformava-se ora em um veículo de escoamento de todos os excessos que chegavam, ora na própria potência da criação e manutenção da vida. Plantando eu descobri o tempo das estações, o templo das variações climáticas. Descobri minha pequenez diante de tantos insetos, e fui colocada à prova de meus  princ...

Minha missão: plantar

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