acon-Teceu e com-fiei!
O causo sucedeu-se assim: estou na aprendizagem da costura de bonecas e experimentação pessoal de tinturas, costuras e texturas.
Então fui lá, costurar o molde das primeiras bonequinhas. Eram duas que risquei. Até que eu estava gostando, cheia de empolgAção! Foi então que, chegada a hora de costurar as mãozinhas e os pézinhos, senti meu corpo esquisi-estar. Tão delicada eram as curvinhas que parecia que não ia dar não! Mas sou teimosa, sou sim. Aliás, dizem de mim: persistente (das boas causas)! Cá entre nós: a persistência durou só o primeiro corpinho. O segundo, com a mesma certeza de céu carregado de nuvem preta que resolve cair: não faço mais na máquina! Melhor costurar essas partezinhas na mão que é pecado pensar palavrão costurando boneca de criança brincar.
Pra quem nunca costurou talvez nem nunca entenda. Talvez dê pra comparar com aquele momento que você está tendo toda aTenção do mundo para não raspar seu carrinho, durante uma baliza, no carro parado e, por uma pisadinha a mais, a alma arrepia, o risco assobia estridente, anunciando o leve (ou não) raspão.
Então: é isso ao acelerar o pedal da máquina em tecido molinho, sobretudo nessas curvinhas, com a curva da baliza! Leve de mais não vai, e a mais, saiu da risca, embolou... Sim! Tudo acontece: passa por cima, a linha resolve se encaroçar em baixo, a máquina chia, trava... mas isso é assunto pra outrora. Por agora, o fato é:
Passadas três semanas desta primeira experiência, mas nem 24 horas depois da última vez que pensei "será que um dia aprendo a dirigir essa máquina, costurar tudinho nela?", a-com-teceu!!!!!!!
Foi assim: cozinhei beterraba usei cebola roxa (aqui tem mais um capítulo dessa história de fazer boneca em quarentena - tudo passa a ser motivo de experimento, de vontade de testar, de não conseguir desprezar uma água roxinha da beterraba da salada se poderia colorir um retalhinho, uma bonequinha...)
Enfim, para não perder o caldo colorido de tinta natural (chá preto misturado com água de beterraba e cebola roxa), lá vou eu: risca, risca, alfineta, corta, costura, costura, costura, recorta. Prontinho.
EPA!!!!!!!!!!! EITA!!!!!!!!!!! E não que minha cabeça aconTECEU a costura toda?
Nem me percebi, no vrum vrum da máquina, das dificuldades que tanto fizeram xilique da primeira vez! Como? Como, minha Mamãe Natureza?!?! Tão simples como se não houvesse a primeira vez?
Quando na cabeça as coisas aconTecem, na vida a gente com-fia!
(escrito dia 28/04/2020)
Mais que lindo fazer, esbarrando na vida e encontrando saída. !
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