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Mostrando postagens de novembro, 2020

30 anos desmanchando nós

Estou fazendo uma boneca muito especial, e agora chegou a parte mais trabalhosa da boneca: fazer o cabelo. Nas pontas dos pés faço a arriscada manobra cotidiana: pegar a cesta de lãs da última prateleira. Corpo inteiro esticado, as pontinhas dos dedos fazer o convite para a cesta escorregar, devagarinho, para minhas mãos. Há quem diga que sou preguiçosa "pegue um banquinho Janaina". Há quem diga que sou descuidada "você não liga se cair tudo?". Sempre há alguém pra dizer algo, né? Me falta coragem, ou tempo, ou interesse?, de perguntar para essas pessoas se elas conhecem essa sensação de esticar-se inteira, de sentir os tendões da batata da perna até os das falanges distais, e a curiosa sensação de perceber a respiração quase paralisante enquanto todo o corpo pulsa a atenção em manobras arriscadas, Ah, é isso: não quero ser mais uma pessoa das que sempre tem algo para dizer. Por isso tenho preferido viver minhas aventuras assim, eu comigo mesma, quando ninguém vê.  ...

Diminua a velocidade do Natal, evite acidentes.

Quero uma infância que celebre aquele Natal antes da dominação da cultura do consumo. Quero que s crianças aprendam a viver com calma, aproveitando o momento presente, elas são nossas mestras nisso, percebem coisinhas do instante que nós, com nossa cabeça sempre acelerada, raramente percebemos.  De repente, já é Natal em um monte de lugar. Muitos que acessam meus textos pertencem a uma realidade que provavelmente os preços dos presentes não importam muito, pois Natal é época de presentear e agradar quem amamos! Minha pergunta é: mas e o preço de não pisar no freio e questionar como as coisas tem sido atropeladas, como estamos cada vez mais distante de vivências ritualísticas, belas, agradáveis, de um tranquilo e atento?  Bom, para isso não tenho respostas. Mas tenho inúmeros relatos de famílias de alunos que se aprofundaram numa perspectiva mais crítica desta nossa realidade, e se comprometeram na busca por uma educação que promova mais saúde do que doenças.  Para que com...

Segredo

"Um livro de poesia: Crítica social e ilustração Ou: bebedeiras da boemia" - Contou, com voz baixa e mansidão Não aceitou café Álcool nenhum bebe mais Nos saudamos, então, de cafunés Desembarcamos nossos corpos no cais Mar manso, desconhecido Prazer em desbravar Se deixou ser conduzido O que é tão raro  gostoso de encontrar Aqui deitada, quase a dormir seu cheiro me evoca Não posso mentir Tua grandeza me provoca

Tem planta no ser tão

Estiagem Meus olhos são a única nascente Silêncio líquido escorre na face Se fácil fosse Eu quereria? A ponte já não serve para nada Não há o que atravessar Tudo está seco Aa fissuras estão expostas A única fluidez É a que escorre de meus olhos Silenciosas gotas-dúvidas salgadas de sonhos estiados A ponte virou lembrança, afeto Quem quiser passar, que vá pelo chão, Sólido, duro, fissurado Porém sempre desejado de paixão Dizem que lá do outro lado milagres aguados plantaram mudanças não duvido que desses meus olhinhos boa colheita eu faça das andanças Estiagem Estes agem Quem segue desbravando de-certo comigo?