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Mostrando postagens de abril, 2020

Brincar com poesia #1

No quintal de casa, a natureza descansa. Pedrinhas e entulhos enterrados no chão, cascas, sabugos, folhas em decomposição. Minha imaginação, entretanto, é puro adubo. Não tenho um quintal paisagístico, porque a paisagem para mim precisa ser viva, espontânea, cíclica. Acho lindo os quintais assim, com grama e flores planejadas. Mas descobri a lindeza também dos matinhos que crescem e revelam flores mais lindas do que da própria floricultura! Também descobri remédios (que insulto chamá-los de mato. Deveríamos chamá-los de vivo!). Aprendo muitas coisas ao observar e vivenciar esses desperdícios, estou com Manuel de Barros sobre a abundância que eles são. Assim eu me alimento, não só ao corpo, mas minha alma e me espírito. Com poesia, simplicidade, imaginação. E enquanto tiver alimento em minha casa, também terei para dividir. Minha esperança é que,essa brincadeira de fazer vídeo com poesia e desperdícios de quintal possa alimentar um pouquinho vocês. Estar neste momento de isolam...

Cacho de algodão

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A missão do final de semana era apaziguar as saudades de Barão Geraldo, distrito de Campinas que morei durante 8 anos, enquanto estudava e, depois, trabalhava. Oito anos. Oito: o número que, por si, é uma leminiscata , e que fala deste casulo onde pude me metamorfosear nesta que sou hoje, sempre inacabada. As saudades que precisava serenar não eram só das pessoas, mas sobretudo dos processos que me  mantinham viva, que davam conta de sustentar a ebulição universitária, a frieza acadêmica, o cardápio quase infinito para degustar a cultura nascente e saborosa de Barão. Era muita coisa. E descobri que no cultivo da horta, e depois no fazer agroflorestal, meu corpo transformava-se ora em um veículo de escoamento de todos os excessos que chegavam, ora na própria potência da criação e manutenção da vida. Plantando eu descobri o tempo das estações, o templo das variações climáticas. Descobri minha pequenez diante de tantos insetos, e fui colocada à prova de meus  princ...

Minha missão: plantar

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